A inclusão do cuidador não abusivo no processo terapêutico em casos de violência sexual infantil intrafamiliar: um olhar sistêmico

  • Sarah Maria Lemos Schuh
  • Denise Franco Duque
Palavras-chave: abuso sexual infantil, violência intrafamiliar, teoria sistêmica

Resumo

O presente  artigo  tem por objetivo evidenciar a importância da inclusão do cuidador não abusivo no processo terapêutico em situações de violência sexual intrafamiliar infantil. Foram analisados relatos de um processo terapêutico familiar à luz da teoria sistêmica, tendo por foco as narrativas relacionadas às situações de violência intrafamiliar e comportamentos associados. Os eixos de conteúdos foram organizados em: 1. Dinâmica familiar e padrão de relacionamento abusivo; 2. Ambivalência e dúvida; 3. Intergeracionalidade e revivência do próprio abuso; 4. Desamparo aprendido, e 5. Recomeçar. Percebeu-se que o atendimento familiar contribuiu com o processo de comunicação, possibilitando aos membros da família uma maior compreensão acerca das realidades subjetivas e contribuindo para o processo de elaboração do luto diante das violências sofridas, da perda da família idealizada e das dificuldades e sofrimento enfrentados com o afastamento do agressor.  

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Biografia do Autor

Sarah Maria Lemos Schuh

Especialista em Psicologia Clínica, Pós-graduada em Psicologia Relacional Sistêmica pelo Familiare Instituto Sistêmico (Florianópolis, SC), Pós-graduada em Psicologia Jurídica pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação (ICPG), Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Denise Franco Duque

Especialista em Psicologia Clínica, Pós-Graduada em Terapia Familiar Sistêmica, Graduada em Psicologia Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Professora e Coordenadora Geral do Familiare Instituto Sistêmico (Florianópolis, SC).

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Publicado
2016-06-23
Como Citar
Lemos Schuh, S. M., & Duque, D. F. (2016). A inclusão do cuidador não abusivo no processo terapêutico em casos de violência sexual infantil intrafamiliar: um olhar sistêmico. Nova Perspectiva Sistêmica, 25(54), 58-72. Recuperado de https://revistanps.com.br/nps/article/view/103
Seção
Artigos