TDAH: o problema e seu nome para além das categorias diagnósticas

Adriana Bellodi Costa César

Resumo


Este artigo propõe uma reflexão sobre as possibilidades de aproximação entre as categorizações diagnósticas produzidas pelas pesquisas neurocientíficas e a prática clínica orientada pelo movimento construcionista social, focalizando o TDAH (Transtorno de Défcit de Atenção e Hiperatividade). Partindo da premissa construcionista que enfatiza os efeitos pragmáticos da linguagem o texto objetiva mais especificamente: a) compreender o TDAH como construção social, contextualizando os principais aspectos de sua história; b) refletir sobre os efeitos do uso de classificações diagnósticas nas conversações terapêuticas, sem contudo, abandonar a terminologia convencional a respeito do problema; c) propor uma articulação teórico-prática a partir de fragmentos de atendimentos da clínica, vislumbrando a construção de narrativas alternativas para os sintomas apresentados pelas crianças. Como conclusão, a terapia entendida como prática discursiva colaborativa, pressupõe o compromisso de extrapolar o campo das idéias deterministas buscando transformações para aquilo que consideramos impróprio. Nesse sentido, a prática clínica é considerada como instrumento de mudança política.


Palavras-chave


TDAH- Diagnóstico, construcionismo social, terapia de família

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